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Será que o futuro está começando agora? No final da década de 1990, a produção da TV a cabo revolucionou a televisão mundial quando começou a oferecer produtos que competiam na audiência e nas premiações com a rede aberta. Tendo aberto um espaço próprio, a produção dos canais a cabo conseguiu definir uma nova forma de fazer televisão, oferecendo séries direcionadas a segmentos de público com abordagens, muitas vezes, mais sérias e profundas que o puro entretenimento. Mas, com o avanço da Internet surgiu para a rede aberta e a própria TV a cabo um novo desafio. Enfrentar a concorrência oferecida pelo entretenimento online.
A princípio, as webséries eram consideradas a concorrência direta da Internet com a TV. Embora algumas fossem oferecidas por produtoras que já atuavam no mercado televisivo, a maioria era feita por profissionais independentes ou por amadores. Trazendo um formato com um tempo de duração que variava de três a quinze minutos, as webséries se estabeleceram e evoluíram na qualidade de produção, atuação e roteiro. Mas, ainda assim, mantendo o formato de websérie. Agora, sites de streaming da Internet, como o Netflix, o Hulu, o Crackle e até o Amazon começam a investir na produção de séries, ou seja, adotando o formato oferecido pelos canais de TV.
O primeiro sinal de que este tipo de produção poderia atingir aquela oferecida pela TV (aberta ou a cabo) surgiu quando, em março de 2011, o Netflix anunciou a encomenda da série House of Cards. Este era um projeto que estava sendo disputado por canais como HBO, AMC e Starz. Ao tirar o projeto das mãos destes canais, o Netflix estabeleceu um novo rumo no desenvolvimento de projetos e produção. De lá para cá, o site já resgatou a produção deArrested Development (que terá sua quarta e última temporada) e encomendou a produção de mais duas séries (Orange is the New Black e Hemlock Grove). O site também entrou na co-produção da segunda temporada de Lilyhammer, série norueguesa exibida pelo canal NRK.

Resta saber se o Netflix conseguirá estabelecer um novo formato de produção seriada já que, até agora, nenhuma dessas séries estreou. O público corresponderá às expectativas? As produções do Netflix conseguirão abrir caminho no circuito de premiações, lugar onde diversos canais a cabo conseguiram se estabelecer?
Prometendo disponibilizar a temporada completa de suas séries de uma só vez, o início da produção do Netflix preocupa muitos diretores de canais da rede aberta e a cabo dos EUA. O Netflix não é o primeiro. Sites como Hulu e Crackle já estrearam suas próprias produções originais. Mas é o Netflix que, neste momento, surge com mais força e potencial para atrair o interesse do público, visto que, segundo o Hollywood Reporter, ela é responsável por cerca de 61% do mercado de streaming nos EUA.
Assim, dando início a este ‘jogo’, o Netflix estreou hoje, dia 1º de fevereiro, às 6h da manhã, a série House of Cards, que tem treze episódios produzidos para sua primeira temporada. Adaptada por Beau Willimon da obra de Michael Dobbs, a série tem produção de David Fincher, diretor do primeiro episódio. Quem se tornar fã de House of Cards pode ficar tranquilo, ela já está renovada para sua segunda temporada, que terá mais treze episódios.
Esta é a segunda adaptação da obra de Dobbs, inspirada em Macbeth e Ricardo III. Em 1990, a BBC produziu uma minissérie em quatro episódios estrelada por Ian Richardson que é mais fiel ao livro, visto ser situado na Inglaterra. Em entrevista ao New York Times, Ted Sarandos, diretor de conteúdo do Netflix, se declarou fã da obra original e, visto que a minissérie britânica é uma das mais populares entre os assinantes da empresa, investir na produção da série americana parece ser uma decisão lógica.
House of Cards marca o retorno de Kevin Spacey ao mundo dos seriados. Para quem não sabe ou não se lembra, ele integrou o elenco de O Homem da Máfia/Wiseguy, série produzida na década de 1980 que praticamente o lançou. A partir desta série, ele passou a se dedicar à uma carreira cinematográfica, retornando poucas vezes à TV. Entre elas, com a minissérie Freedom: a History of Us, exibida em 2003.
Na produção do Netflix, o ator interpreta o congressista republicano Francis Underwood, casado com Claire (Robin Wright), mulher que compartilha de sua ambição e de sua linha de pensamento. Após perder a oportunidade de exercer o cargo de Secretário de Estado, ele inicia uma campanha para derrubar aqueles que o prejudicaram. Esta é uma forma dele estabelecer o nível de seu poder perante o Presidente eleito, Garret Walker (Michel Gill). Para alcançar seus objetivos, Francis conta com a ajuda de Zoe Barnes (Kate Mara, de American Horror Story), uma ambiciosa repórter que, na ânsia de realizar seus objetivos, faz um acordo com ele para obter notícias exclusivas tornando-se, a princípio, um fantoche nas mãos de Underwood.
O personagem de Spacey é um homem frio e calculista, manipulador e ambicioso, que vive em um meio onde o poder define o indivíduo. Suas experiências na política e sua mente ardilosa o levam a estabelecer um jogo no qual ele movimenta as peças (ao menos nesse momento). A facilidade com que ele é capaz de manipular as situações que se apresentam o levam a uma conversa com o público (rompendo a quarta parede), na qual ele se torna um narrador ou guia do jogo político para leigos, com comentários em tom quase jocoso.
No elenco também estão Sebastian Arcelus, como Lucas Goodwin, editor do jornal/blog onde Barnes trabalha; Kristen Connolly, como Cristina, a assistente do congressista Peter Russo (Corey Stoll, de Law & Order: LA), com quem ela mantém um relacionamento; Michael Kelly(Doug Stamper), Constance Zimmer (Janine), Sakina Jaffrey (Linda Vasquez), Mahershala Ali(Remy Denton), Sandrine Holt (Gillian Cole), Ben Daniels (Adam Galloway), Boris McGiver(Tom Hammerschmidt), Dan Ziskie (Jim Matthews) e Wass Stevens (Paul Capra), entre outros.
Trata-se de uma novela política que traz a mesma abordagem vista na já cancelada Boss (que por sua vez era uma adaptação de peça de William Shakespeare), ou seja, um olhar racional sobre os bastidores do poder, que neste caso é Washington. Tal qual Boss, a trama também é dividida entre os corredores da Casa Branca (no caso de House of Cards) e a redação de um jornal que tenta expor as atividades inescrupulosas dos políticos. Também como Boss, os personagens de House of Cards não cultivam relacionamentos afetivos, seja entre eles ou com o público (talvez com exceção dos momentos em que Spacey conversa com o telespectador, em um recurso que, atualmente, também é explorado por House of Lies).
Esta ausência de afeto pode trazer problemas para a série se estabelecer com um grande público, já que boa parte da audiência está mais acostumada a se afeiçoar a produções que exploram o humor, a ação que elege heróis, o melodrama ou até mesmo o dramalhão. Se conseguir ultrapassar essa barreira, House of Cards tem grandes chances de conquistar uma boa audiência (informação que o Netflix provavelmente não divulgará à imprensa). De qualquer forma, este não parece ser um requisito para as produções originais do site existirem (o que é um alívio – enquanto essa postura durar).
Nos EUA, o Netflix está disponível em cerca de 27 milhões de casas. Na América Latina, na qual o Brasil e o México são os principais mercados, o site de streaming está disponível em mais de um milhão de residências.


POSTADO POR - Guilherme J Cabral

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