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Por: Luiza Beirão


12 anos de escravidão

Adaptação cinematográfica do livro homônimo e autobiográfico de Solomon Northup, 12 Anos de Escravidão conta a história real de um homem livre que, acreditando na boa fé de dois homens entusiasmados com sua aptidão como violinista, planeja emprestar seu talento a uma trupe circense – e quando descobre as motivações escusas da dupla, Northup já está acorrentado em uma câmara escura, onde é forçado a assumir uma nova identidade – Platt – e passa a ser tratado e negociado como uma mercadoria.


Fincando o dedo em uma ferida ainda aberta da humanidade, o diretor Steve McQueen não poupa o público de um reencontro visceral com alguns dos grandes horrores do regime escravocrata – e os maiores destaques nesse sentido são, sem dúvida, os dois longos planos em que o diretor testa os nervos do espectador, levando-os ao limite: aquele em que o protagonista precisa se equilibrar na ponta dos pés sob uma poça de lama para evitar o enforcamento e o outro em que a sofrida Patsey (Lupita Nyong’o) é praticamente mutilada, nas várias conotações que o termo pode assumir. Por outro lado, algumas passagens lamentavelmente alcançam resultados muito aquém da grandiosidade da obra – especialmente aquelas que envolvem o capataz vivido por Paul Dano, cuja composição demasiadamente carregada (e parcialmente herdada de seu papel em Cowboys e Aliens) enfraquece e compromete a participação do personagem na história.

Michael Fassbender, por outro lado, oferece um dos melhores desempenhos de sua carreira: o ator constrói o caráter ameaçador do senhor de escravos Edwin Epps através da fala simultaneamente controlada e incisiva, do poder que ostenta e das eventuais recaídas do sujeito, nas quais a instabilidade e a impulsividade vêm à tona. E enquanto a inexperiente Lupita Nyong’o rouba diversas cenas com suas expressividade, presença e segurança invejáveis, Brad Pitt surge como o maior erro de casting da produção: a figura do mega astro é carregada demais para cair bem no papel de um dos únicos indivíduos sensatos a dar as caras na narrativa, especialmente levando em consideração a importância e a particularidade da função que o personagem exerce.

Mas é mesmo Chiwetel Ejiofor (cujo nome finalmente aprendi a escrever sem consultas externas) quem acumula os maiores e mais merecidos elogios. Habituado a papéis de sujeitos mais atirados e imponentes, o ator consegue coordenar com precisão a fragilização inerente àquelas circunstâncias e a força necessária para sobreviver àquela dúzia de anos malditos. Nesse sentido, o roteiro de John Ridley também merece aplausos. Além disso, Ejiofor também é vitorioso nas cenas com maior carga dramática: além do arrebatador desfecho, o breve momento de catarse musical vivenciado pelo protagonista durante o funeral de um companheiro é particularmente tocante.


Tecnicamente impecável (a trilha discreta de Hans Zimmer agrada especialmente pelo aspecto camaleão do tema central, que se adapta admiravelmente bem às várias exigências emocionais da narrativa), 12 Anos de Escravidão ainda é capaz de, mesmo contando uma história ocorrida há mais de um século e meio, despertar reflexões sobre o presente: se hoje olhamos para todo aquele contexto com tanto espanto, como será que as várias divergências atuais envolvendo direitos humanos serão vistas pelas gerações futuras e o que está faltando para que avancemos mais rapidamente nesses quesitos? Isso, claro, se sua mente não estiver suficientemente impactada por este belíssimo trabalho.



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